Por Sandro Oliveira
Durante a minha adolescência, eu alimentava o grande sonho de construir uma família. Meu maior desejo era me casar e ser pai. Como acontece com muitos jovens casais, logo após o casamento, a vontade de ter filhos ficou ainda mais forte, e não posso esconder que o meu grande plano era ter um casal: um menino e uma menina.
No nosso caso, a primeira a chegar foi uma menina. Depois disso, passei a torcer para que o próximo fosse um menino — um desejo que era muito mais meu do que da minha esposa. Eu queria um filho homem para compartilhar atividades que, na minha cabeça, não eram comuns para garotas, como ir ao estádio de futebol ou tomar uma cerveja no bar. Hoje reconheço que esses pensamentos vinham de uma mentalidade machista. O tempo passou, e a vida me presenteou com duas filhas maravilhosas, modernas e inteligentes, o que mudou completamente a minha forma de pensar.
Mas, voltando àquela época, lembro-me claramente de quando minha esposa descobriu a segunda gravidez. Foi aí que aconteceu uma situação totalmente inesperada. Durante uma consulta de pré-natal, por volta do quarto mês de gestação, o médico nos deu uma notícia que mexeu comigo: ele informou que o bebê seria um menino.
Ficamos muito felizes com a notícia, pois o desejo de ter um casal parecia estar se realizando. No entanto, nossa filha mais velha, que tinha 7 anos na época, não reagiu bem. Ela chorou bastante, tomada pelo ciúme e pelo medo de que eu passasse a gostar mais do menino do que dela.
Dois meses após receber essa notícia, em outra consulta, o médico revelou que, na verdade, seria uma menina e não um menino. A situação nos pegou de surpresa: já havíamos comprado as roupas e arrumado o quarto do bebê pensando em um menino. Naquele momento, sentimos um pouco, já que havíamos nos habituado à ideia de ter um filho do sexo masculino. Por outro lado, a nossa filha mais velha ficou radiante com a novidade.
Cinco meses depois, veio ao mundo a nossa querida Giovanna. Mais tarde, passei a chamá-la carinhosamente de "Sabe", um apelido curto para "Sabida", pois ela realmente se revelou uma menina muito travessa e inteligente. Durante a infância, as duas irmãs costumavam ter algumas briguinhas, já que a Giovanna adorava provocar a mais velha. No entanto, o tempo passou, a maturidade chegou e hoje elas se tornaram grandes amigas e confidentes.
Hoje, 25 de agosto de 2026, eu entendo que o destino sabia exatamente o que fazia. Temos a imensa felicidade de celebrar a formatura da minha filha caçula, Giovanna. Eu não ganhei um filho homem para ir ao estádio de futebol — e a ironia é que, na verdade, já fomos várias vezes ao estádio juntos assistir ao nosso time do coração, o Bahia. Ganhei duas filhas incríveis que me ensinaram o verdadeiro significado de amor, parceria e respeito. Criei duas mulheres fortes. A "Sabe", agora médica veterinária, é a prova viva de que a vida sempre nos dá muito mais do que a gente imagina. Minha cabeça mudou, meu coração cresceu e a minha família ficou completa. Que venham as próximas comemorações!
Sandro Oliveira
Pai de Giovanna e Marcelle, esposo de Andreia

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