Por Sandro Oliveira
Recentemente, deparei-me com uma matéria em um jornal que dizia: "Empresas funerárias disputam corpos em hospital". A informação pode parecer cômica, se não fosse trágica, mas é uma realidade recorrente. As funerárias competem para oferecer serviços de sepultamento. Há até relatos de funcionários que perderam a vida em decorrência dessas disputas, o que é lamentável, mas realmente ocorre.
Junto a isso, observam-se as comercializações de "planos de funeral", em que os vendedores aparecem em nossas casas, oferecendo esses serviços com uma tranquilidade similar à de quem está vendendo um pacote de televisão por assinatura.
É inegável que uma verdade na vida é a certeza da morte. Desde os primórdios da humanidade, o ser humano compreende que a existência se desenvolve em três etapas: nascimento, vida e falecimento. Lamentavelmente, existem aqueles que perdem suas vidas antes mesmo de começar (aborto) ou enquanto ainda estão em meio à jornada (por conta de doenças, acidentes, violência, entre outros).
Pois é, se somos cientes de que um dia nossa vida chegará ao fim, mesmo que de forma inesperada, por que alguém precisaria vir até nós para nos alertar sobre isso? Durante minha infância e até nos dias atuais, já vi representantes de empresas, como as "meninas da Avon" e os "homens da prestação", se aproximando para vender seus produtos, mas nunca imaginei que um dia alguém se apresentaria à nossa porta para oferecer um caixão.
De fato, eles chegam com várias propostas para nos persuadir de que estamos fazendo uma boa escolha. Usam um discurso semelhante a este: "Bom dia! O senhor(a) estaria interessado(a) em contratar um plano funerário? Temos diversas vantagens, incluindo atendimento 24 horas e, durante o velório, oferecemos um serviço VIP: café, bombons e, se necessário, disponibilizamos pessoas para prestar condolências... o cliente é quem decide".
E aí! Vamos elaborar o plano? Quero deixar claro que não estou oferecendo caixão, mas sim a oportunidade de viver.
De certa maneira, é uma situação embaraçosa. Uma pessoa está em seu lar, cercada de felicidade, fazendo planos e mais planos, quando, de repente, alguém toca a campainha e pergunta: O senhor estaria interessado em comprar um caixão, com pagamento em prestações acessíveis?
De fato, essa é a questão: fazem todo esse rodeio, mas no fundo o objetivo deles é vender uma urna funerária, que representa a morte de forma mais significativa, e ainda afirmam que estão oferecendo uma nova chance de vida. E os planos de saúde, o que estão realmente comercializando? (Na verdade, considerando os altos preços e o atendimento insatisfatório, não há muita diferença). Com isso, o ambiente familiar, que deveria estar repleto de renovação, acaba se frustrando e os pensamentos se voltam para aquilo que menos desejavam naquele instante: a morte.
Então, você declara que não está interessado. O vendedor, que recebeu treinamento para persistir, responde com uma frase impactante: “O senhor está ciente de que não há um momento específico para a morte; tudo que é necessário é estar vivo”. Muitos, ao escutar isso, acabam concordando e fazendo uma compra, especialmente se forem hipocondríacos, que são mais suscetíveis.
Com certeza, não tenho nada contra os vendedores; é uma profissão assim como qualquer outra e, por sinal, bastante desafiadora. Falando em desafios, admito que fui acometido por uma certa falta de inspiração, o que dificultou a finalização desta crônica. Os leitores costumam esperar um encerramento que faça sentido, e espero que vocês tenham compreendido.
Na minha opinião, a opção é clara. Se você se sentir motivado, elabore o plano, ou escolha pagar à vista; a escolha é sua. Deixe-me finalizar desejando a todos uma vida plena e abundante. (João 10,10).



















