Por Sandro Oliveira
Há 32 anos divido a vida com minha esposa. Parte dessa caminhada tive a oportunidade de servir na Igreja Católica, onde conduzimos Cursos de Noivos. Cada casal que passou por nós trouxe na bagagem uma história diferente. Entre tantas conversas, uma frase insistia em aparecer, dita meio em tom de brincadeira, meio de desabafo: "Casamento é loteria!" Hoje, depois de mais de três décadas de vida conjugal, quero dizer o que penso sobre isso.
Em uma discussão sobre o matrimônio, um jovem exclamou: "Se pudesse voltar atrás, não teria me casado". Suas palavras, carregadas de frustração e descontentamento, deixaram o ambiente em silêncio por um momento. Uma mulher, então, complementou: "Casamento é como uma loteria". A partir daí, começaram as queixas sobre o matrimônio, afirmando que ele é isso e aquilo.
Pessoalmente, considero que casamento não é uma questão de sorte. Para mim, o casamento se baseia em diálogo, respeito, sacrifício, perdão e amor. Um dos principais problemas enfrentados pelos casais é a falta de comunicação. O homem conversa com amigos sobre política, esportes, redes sociais, mas, ao voltar para casa, não se comunica com a parceira. A mulher, por outro lado, fala bastante no salão de beleza, no trabalho, mas em casa muitas vezes está mais interessada nas novelas e nas redes sociais.
É claro que não existe um casamento perfeito, livre de conflitos, mas todo relacionamento exige renúncias e adaptações; caso contrário, torna-se uma situação complicada. O matrimônio é baseado no perdão; sem ele, não funciona. Muitas pessoas, hoje em dia, estão brigando e buscando a separação sem antes compreender o que é realmente o casamento.
O matrimônio não é um teste ou uma união temporária; a aliança não se desfaz quando surgem os desentendimentos. Quando os casamentos estão bem, tanto a Igreja quanto a sociedade prosperam. Não é o padrão da sociedade atual, centrado no “eu” e no dinheiro, que vai salvar a família. É a Palavra de Jesus, que ensina o caminho: o amor em primeiro lugar. Um amor que se prova quando o homem levanta, valoriza e respeita sua esposa todos os dias.
O amor no casamento é essencial; se não houver amor, talvez seja melhor não casar. O amor verdadeiro é aquele que compreende, se conecta, sente as dores do outro e compartilha as alegrias. Não é possível entrar em um casamento pensando que apenas uma das partes será feliz; a felicidade deve ser mútua. Além disso, esse amor não deve se restringir ao casal, mas deve irradiar para toda a família.
No fim, casamento não é sobre tirar o bilhete premiado. É sobre decidir, todos os dias, que vale a pena apostar um no outro. Com amor, com Deus e com o mesmo “sim” que Maria deu.
Sandro Oliveira
Membro do Cursilho de Cristandade

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