Por Sandro Oliveira
Essa pequena casa, traz à mente várias recordações de momentos alegres e das dificuldades superadas por minha mãe. Ali também passei por vivências que deixaram uma marca na minha infância, ajudando a moldar quem sou hoje e impactando minha maneira de pensar e viver. Na realidade, essa casa era um pouco mais ampla, e eu experimentava uma profunda felicidade quando me encontrava naquele lugar.
Vindo de uma família simples e carente, minha mãe passou sua infância até os 10 anos na roça. Depois, ainda com 10 anos, foi obrigada a deixar essa vida e começou a trabalhar em lares de pessoas abastadas, onde se responsabilizava pelos cuidados das crianças e pela limpeza. Anos mais tarde, com 21, ela voltou para sua terra, agora com um bebê de três meses nos braços. Instalou-se na cidade, onde lavava roupas de ganho, para ter algum dinheiro, mas sempre fazia questão de retornar à roça para plantar mandioca, aipim, milho, feijão... Também produzia farinha e beiju na casa de farinha da “Dona Pomba”, tudo isso para sustentar seus filhos pequenos.
Nessa pequena casa de taipa e chão de terra, eu, durante minha infância, frequentemente escolhia me refugiar . Era ali que apreciava, às escondidas, o refrigerante Cajuí que meu avô guardava debaixo da cama, com colchão de palha, para mantê-lo gelado, já que, naquela época, a eletricidade ainda não havia chegado à zona rural.
Meu avô, chamava-se Brasiliano, tinha o apelido de “Galinho”, costumava sentar-se em frente à porta, onde tranquilamente consumia rapé. Ele usava um chapéu de palha, suas mãos eram ásperas devido ao trabalho na agricultura, tinha cabelos brancos, era magro e de estatura baixa. Viveu até os 97 anos, não fumava nem bebia.
Apesar das adversidades, desfrutamos de inúmeros momentos alegres nessa pequena casa. Hoje, ao olhar para essa casinha, sinto gratidão por ter vivido aqueles momentos e por ter uma mãe guerreira que nunca desistiu. Ela é um exemplo de força e resiliência, e eu sou grato por ter podido compartilhar esses momentos com ela. Pode ser pequena, mas as memórias que essa casinha de taipa guarda são imensas e preciosas. É um lembrete de que a felicidade verdadeira vem de dentro e das pessoas que amamos.
| Meu tio João e minha mãe Nair |

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